agosto 20, 2026

Fortalecendo Raízes: Assessoria Técnica, Diagnóstico Territorial e Planejamento Popular de Moradia na Praia do Futuro

    De janeiro a maio de 2026, o ArqPET atuou como parceiro no projeto “Fortalecendo Raízes: Planejamento Popular e Direito à Moradia em Comunidades da Praia do Futuro”. A iniciativa foi viabilizada por meio de uma parceria entre a OSC Quintau Coletivo e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU/CE), a partir de contrato firmado via Edital de Apoio Institucional de Assistência Técnica Habitacional de Interesse Social nº 001/2025. O projeto contou também com o apoio da Pesquisa Planejamento e Assessoria em Contexto de Conflito — Núcleo Ceará, da Comunidade Raízes da Praia, do Movimento de Conselhos Populares (MCP), da Rede Jubileu Sul Brasil (JSB) e da Taramela Assessoria Técnica em Arquitetura e Cidade.

O projeto foi estruturado em três etapas principais:

1. Projeto de Espaço Livre para a Comunidade Raízes da Praia (Fevereiro) 

    Esta etapa surgiu como resposta aos problemas crônicos de escassez de equipamentos de lazer na comunidade. Além disso, por estar localizada em uma área propensa a alagamentos, muitas residências são afetadas no período chuvoso, sobretudo na porção central do terreno. O processo de projeto dividiu-se em três momentos: (1) reconhecimento e sistematização das demandas; (2) elaboração e representação do projeto; e (3) validação da proposta. 

    Na etapa de reconhecimento e sistematização, foi realizada a oficina de “Direito à Cidade e Espaços Livres”, com o objetivo de compreender as necessidades atreladas ao lazer e à permanência sob a perspectiva de crianças e adolescentes, considerados os principais usuários do espaço livre. Durante este momento, foram produzidos mapas através dos quais foi possível compreender as principais demandas e dinâmicas que permeiam o espaço. A partir da sistematização dos resultados obtidos, as propostas foram transformadas em diretrizes projetuais adotadas na etapa de elaboração e representação do projeto. 
    
    A segunda etapa do projeto foi dividida em criação e documentação, sendo que a criação enfrentou o desafio de selecionar quais sugestões, dentre as diversas ideias levantadas durante a oficina, incorporar à proposta. Foram adotados como critérios de seleção a recorrência (analisada via base cartográfica, definindo espaços como parquinho e quadra) e a viabilidade (avaliada por normas técnicas, dimensões, durabilidade e manutenção. Simultaneamente, realizou-se a modelagem BIM do território com dados da prefeitura, que exigiu atualizações manuais a partir de visitas e diálogo com moradores, e, após consolidada a base digital, as soluções em croquis foram transpostas ao software para ajustes, refinamento, documentação técnica e produção de perspectivas. 

    Por fim, visando validar a proposta e levantar possíveis ajustes, realizou-se uma oficina de validação, novamente com a participação de crianças e adolescentes da comunidade. A dinâmica permitia que os participantes pudessem reposicionar os tótens caso as áreas definidas no projeto não correspondessem às suas expectativas iniciais. A oficina demonstrou uma boa aceitação da proposta por parte dos usuários, que sugeriram apenas uma alteração: a adição de uma rede de proteção na quadra. 
 
Figura 1: Colagem de fotos da Oficina de Direito à Cidade e Espaços Livres com jovens da comunidade. 
 
Fonte: Adaptado de Quintau Coletivo (2026).
 
 
Figura 2: Perspectiva realista do espaço livre proposto para a Raízes da Praia.


Fonte: Elaborado pela equipe (2026).
 

Figura 3: Oficina de validação do projeto de espaço livre com jovens da comunidade.
 
Fonte: Acervo Quintau Coletivo (2026).


2. Levantamento Censitário (Abril) 

    Esta etapa funcionou de forma complementar ao levantamento realizado previamente pela Defensoria Pública. Teve como objetivo caracterizar a comunidade executando um levantamento que permitisse averiguar em mais detalhes a condição habitacional e socioeconômica dos residentes, bem como melhor mapear suas demandas.  A ideia principal está voltada para criação de uma base de dados que pudesse ser utilizada para auxiliar na argumentação de defesa dos direitos e solicitações da comunidade, incluindo por exemplo fins como a facilitação das negociações voltadas para o processo de regularização fundiária da comunidade. 

    O Censo foi feito em sete etapas, sendo elas análise de referências, construção do formulário, organização da forma de aplicação, formação da equipe, divulgação na comunidade, aplicação em campo e tratamento e sistematização de dados. Nesse sentido, foi utilizado como referência o Questionário do Censo Demográfico de 2022 do IBGE, metodologias de projetos habitacionais prévios do Quintau Coletivo na Ocupação Nova Conquista, em Caucaia, e levantamentos do Núcleo de Habitação e Moradia (NUHAM) da Defensoria Pública do Estado do Ceará. 

    A construção do Formulário foi organizada em seis eixos temáticos: identificação, família, emprego e renda, educação, infraestrutura e moradia, para capturar desde o perfil socioeconômico até precariedades estruturais e riscos habitacionais. Para a aplicação do censo, foi utilizado a plataforma Google Forms, para agilizar a coleta e a sistematização dos dados, e foi aplicado pelos técnicos parceiros atuantes no projeto sempre acompanhados pelas mobilizadoras, essenciais para a elaboração do censo. Por fim, na sistematização das informações, os dados foram processados no Google Planilhas, onde as respostas foram padronizadas e categorizadas (como faixas etárias, origem familiar e motivos de mudança) para permitir uma análise estatística e social precisa. 


Figura 4: Esquematização dos eixos e temas do levantamento censitário. 
 
Fonte: produzida pelos autores(2026) 


Figura 5: Registros de trabalho em campo. 

Fonte: produzida pelos autores (2026)


Figura 6: Registros de trabalho em campo. 
 
Fonte: produzida pelos autores (2026)


Figura 7: Registros de trabalho em campo. 
 
Fonte: produzida pelos autores (2026)

3. Diagnóstico Sócio-Territorial e Plano Popular de Moradia (Maio) 

    A última fase teve como objetivo compreender de maneira qualificada o contexto e as demandas do território, permitindo o levantamento e a atualização de dados das comunidades da Praia do Futuro: Raízes da Praia, Norte e Sul, Paraíso, Deus é Fiel e Vista para o Mar. Diante o diagnóstico realizado, foram desenvolvidos Planos Populares de Moradia para as comunidades, buscando construir cenários possíveis de negociação para a melhoria da qualidade habitacional, considerando os debates realizados para desenvolver proposições de reassentamento e/ou permanência. 

    O levantamento de dados socioespaciais foi realizado a partir da divisão em duas escalas de análise: territorial e comunitária. A primeira escala desenvolveu-se por meio de análise de dados georreferenciados e uma Oficina de  Cartografia Social realizada juntamente com o Instituto Verdeluz e Labocart (Geografia da UFC). O estudo foi estruturado em seis níveis de estudo: localização e contexto histórico; meio natural; leis e planos; infraestrutura e equipamentos; sistema de espaços livres; e vazios urbanos. Referente ao diagnóstico comunitário, foram realizadas visitas guiadas nas comunidades e entrevistas com os moradores, apropriando-se das informações coletadas no diálogo para o levantamento de dados primários, sistematizadas em “fichas sínteses”. 

    O desenvolvimento do Plano Popular de Moradia partiu da análise do diagnóstico e, em seguida, avançou para um levantamento aéreo que realizou dois voos de drone para geração de imagens atualizadas das comunidades, realizado através da parceria com o Laboratório de Experiência Digital (LED) da Universidade Federal do Ceará.  A partir disso, foram realizadas oficinas participativas com as lideranças comunitárias em busca de dialogar com os moradores sobre reflexões e experiência na luta por moradia, sobre as demandas de cada comunidade diante dos cenários de negociações, sobre o plano geral de intervenções buscando reconhecer os cenários de propostas possíveis e, por fim, sobre as possibilidades de moradia a partir de propostas iniciais. Dessa forma, foram desenvolvidos Planos Populares de moradia para cada uma das comunidades, considerando o diálogo como norteador das propostas elaboradas. 
 
 
Figura 8: Registros de trabalho em campo. 
 
Fonte: produzida pelos autores (2026)

 
Figura 9: Registros de trabalho em campo. 
 
Fonte: produzida pelos autores (2026)
 
 
Figura 10: Fotos da Oficina de Possibilidades de Moradia, realizada para o Plano Popular de Moradia. 
 
Fonte: Acervo da Equipe (2026). 
 
 
Figura 11: Proposta para a urbanização imediata da comunidade Raízes da Praia. 
 
Fonte: Acervo da Equipe (2026) 


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